Simulacro
A princípio, tinha 6 anos, enquanto tentava reproduzir objetos, cenas do meu dia, fotos de folhinhas... sentia uma frustração constante. Nunca ficava igual!... Tinha um impulso desafio q não me deixava desistir. Depois ganhei uma caneta Oxford do tio Nereu e aprendi com ele o bico de pena! Mais um passo, comecei a desenhar bem melhor, novos aprendizados, desafios, técnicas, livros, livros, livros...e sempre aquele fio de insatisfação. Isso nunca saiu! Já pintei coisas de que gostei muito, esculturas, objetos, jóias e bijouterias, cenários, cartazes, livros: satisfação momentânea, efêmera. Será q era isso que o Hassis dizia "tenho a sorte de nunca achar o q procurava"...
Ontem acabei uma série de pequenos quadros com colagens de tecido, uma cambraia muito fina, fiz umas camadas de preto, azul puro, só pigmento e resina acrílica, pinceladas soltas, mais médium que pigmento. Sem carga, depois intervenções em quase branco, sobre o quase preto. Respingos, luzes com pincel seco, mais camadas, veladuras aguadas com quase branco.
Ontem me senti em paz, quase branco sobre quase preto, quase... quase me perdi e quase me achei. Mas a sensação do buraco, do vazio ta aqui dentro de novo. Ontem foi ontem, o Julio veio almoçar aqui, fizemos uma massa à bolonhesa, manjericão, tomates, comi muito. Hoje tenho que comer de novo. Me incomoda essa insatisfação, mas entendo numa analogia com o alimento, com as atitudes e procedimentos que dão suporte à vida. Pintar, materializar processos internos é tão vital, no sentido de saúde mental, quanto comer, beber. Essa necessidade, vi ontem, de exteriorizar o interno muda de acordo com a resolução e encaminhamentos dados pros processos. A pintura foi se definindo à medida em que novas informações chegavam. Me senti bem enquanto desenhava com os respingos. Mas hoje preciso comer de novo, fazer sexo, escovar os dentes, e pintar, ou escrever, ou fazer uma poesia. To inspirado, muito. Ontem também, hoje de novo, tenho que cuidar da casa, a Carol vem dormir aqui, to decidindo... simulacros, ou isso é que importa... espírito e alma, espírito e obra, não sou historiador nem critico de mim mesmo. Se fosse essa historia teria 2 paragrafos... e eu nao seria tão feliz
escrito em 12 fev 2007
quarta-feira, 26 de setembro de 2007
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